PMDB way of life

O PMDB dispensa apresentações, entretanto, não repreensões. Não que os demais partidos políticos estejam livres de serem repreendidos, corrigidos, melhorados. Afinal, representar o povo e o seu dinâmico universo de necessidades exige de todos os partidos políticos aperfeiçoamento contínuo, trabalho ininterrupto. Porém, no mais das vezes, é justamente o contrário que vemos na ópera política brasileira. Eduardo Cunha, o peemedebista de maior evidência do momento, e sem dúvida o que mais merece repreensão, representa senão os interesses do seu partido, deixando claro a todos os brasileiros, os quais apenas dissimula representar, o velho jeito de ser do PMDB.

Ao falarmos de PMDB não podemos deixar de falar de José Sarney. O oligarca-mor, desde que foi eleito governador do Maranhão, em 1966, articulou praticamente todos os últimos governos do Brasil. Foi presidente do Senado durante a ditadura militar, presidente do partido governista ARENA, vice-presidente de Tancredo Neves, presidente da república, apoiou os governos de FHC, Lula e Dilma, presidindo novamente o senado nestes períodos. Afora isso, José Sarney é latifundiário, proprietário de seis afiliadas da TV Globo, de emissoras de rádio e de jornais. Com essa presença política e midiática, Sarney, permanece há quase 50 anos com as suas mãos sujas no poder.

Oligarca eficaz que é, Sarney colocou sua filha no poder, Roseana Sarney, que começou como deputada federal, foi duas vezes governadora do Maranhão – o curral do clã -, senadora da república, e, em 2010, novamente governadora do Maranhão. Obviamente, não foi por ter bem representado o povo que a princesa da oligarquia maranhense mereceu por tanto tempo, e por várias vezes, a dianteira política. Em 2014, a respeito da crise penitenciária do seu estado, evidenciada tragicamente pelas dezenas de decapitações de presos no presídio de Pedrinhas, ela disse ao Observatório da Imprensa que as coisas por lá iam muito bem, e que a violência só acontecia por que o Maranhão estava rico. Exclusivamente para ela isso era verdade, dado que, um dia antes dessa infame declaração, ela havia autorizado licitações para a compra de camarões gigantes e sorvetes importados para o Palácio dos Leões, sede do “seu governo”.

Hoje temos Eduardo Cunha, deputado federal pelo PMDB do Rio de Janeiro e desde 1º de fevereiro de 2015 presidente da Câmara dos Deputados, representando sublimemente o sempiterno devir peemedebista. Acusado de vários ilícitos, Cunha segue como que inatingível. Tacitamente envolvido em vários crimes, dentre eles contas ilegais no exterior, o político sequer finge uma performance, digamos, mais democrática. Porém, Cunha lidera pautas e votações que fazem justamente o contrário, esforçando-se diariamente para reduzir ainda mais a construção de um pais mais igualitário onde as mulheres, os homossexuais e os índios, só para citar alguns, tem cada vez menos espaço. O espaço excelente, claro, deve ser para o PMDB.

Com o PMDB de Sarney, Roseana e Cunha o coronelismo desafia os tempos e sobrevive impertinentemente, todavia ao modo zumbi, sugando “a vida” do povo em função se sua insaciável fome por mais poder. Para um futuro livre de tal cabresto oligárquico, não devemos deixar de sabatinar todo peemedebista para sabermos se ele não é mais um apólogo do “PMDB way of life”, esse jeito antidemocrático de ser cujo objetivo é apenas o monopólio do poder, todavia sob uma fantasia democrática, que, entretanto, só convence porque aqueles que não se convencem estão sendo ou excluídos da ágora social (as mulheres, os homossexuais, os índios), ou decapitados nos presídios nos quais são estocados (as dezenas de mortos de Pedrinhas). Até aqui, podemos dizer que não há futuro com o PMDB, somente mais do mesmo, isto é, mais do sórdido passado brasileiro, em função do qual, aliás, um futuro realmente novo e descontaminado do velho coronelismo oligárquico se faz tão necessário.

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