Os nomes dos pau

O órgão sexual masculino goza do maior número de nomes dentre todos os objetos, ganhando, com apertada vantagem, apenas da sua transgênere, a vagina. São tantos os apelidos do pênis, num fálico desafio à generalização, que cada um deles parece querer um nome exclusivo. Porém, tão variados quanto as designações do “amiguinho”, são os seus tamanhos. Então, vale a pena aventar uma relação entre as alcunhas e as dimensões dos “abre-alas” ao longo da vida dele.

Ao “anjinho barroco” de um bebê, por conta de sua estatura e monofuncionalidade, cabem nomes tais como: “piu-piu”, “pipí”, “bingolim”, “bingulino”, “pingolim”, “tico”, “bigorrilho”. Isso porque, chamá-los de, por exemplo, “pilão”, “atrasa-bosta”, “arma-pra-boquete” ou “Picasso”, além de botar a carroça na frente dos bois, isto é, atribuir funções onde mal há forma, no nosso mundo politicamente correto pode suscitar desconfianças pedófilas. Ora, o que está implícito, digamos, no apelido “pirulito”? Então, paciência para não chamar o “pintinho” de “galo-véio” antes do tempo!

Na infância, surgem apelidos como “bilau”, “pingola”, “pinto”, pois a “torneirinha” que outrora apenas mijava nas fraldas, agora, um tanto mais desenvolvida e dona de suas próprias cuecas, pede novos nomes. Porém, não por muito tempo, pois o “tico” infantil logo dá lugar ao “pirú” adolescente que, com alguns centímetros e ereções à mais, atende melhor se chamado de “pau”, “piça”, “piroca”, “badalo”, “balangandã”. Nessa fase, o “Júnior” passa a dar um prazer especial, no mais das vezes onanístico, donde nasce o nome “palhaço”, constantemente escabelado, embora os pelos pubianos não formem ainda uma juba que justifique plenamente a expressão.

Porém, é na vida adulta que a “caceta” experimenta sua maior prolixidade de codinomes. O império do sexo muda tudo, e tem um epíteto, contudo espirituoso, embora advindo do mundo científico, que bem traduz essa revolução: “alavanca-de-Arquimedes”. No entanto, é devido á interatividade que o “plug-and-play” adulto pode se dar ao luxo de se chamar também “caralho”, “cacete”, “catso”, “pica”, “rola”, “vara”, etc. Aqui o tamanho importa muito na escolha do nome, pois, se pequeno, não faz sentido algum chamá-lo de “jeba”, mas talvez de “amigo”, quiçá de “alisa-que-cresce”. Já os maiores podem, e inclusive devem, ser chamados de, “tora”, “berinjela”, “tripé”, “mastro”, “capitão”, “Alexandre, o Grande”, e por aí vai.

A velhice, entretanto, começa quando a “benga” se reconhece melhor se chamada de “bengala”, “trouxa”, “borracha”, “invertebrado”, “geringonça”, “chonga”. Também é muito usual, nessa fase da vida, a “pila-murcha” ser chamada de nomes próprios, tais como, “Leopoldo”, “Roberlau”, “Bráulio”, “Olavo”, “Duval”, como se se tratasse de outra pessoa, com suas próprias vontades e limitações. Se bem que, hoje em dia, com o Viagra, qualquer “Judas” senil pode reencarnar o “Espírito-Santo” e ser chamado, ainda que por algumas horas, de “possante”, “cava-cova”, “almirante”. Em contrapartida, longe da farmácia, e na tranquilidade do lar, o “bagaço” idoso admite todos os nomes infantis supracitados.

Não é porque existe muitos nomes para o “pau” que, como diria Aristóteles, não há um ordem nessa joça. Auto lá! Só quem tem uma “neca” sabe do que ela pode e, sobretudo, do que não deve ser chamada. “Banana”, por exemplo, é um universal. Já “chave-de-mulher”, por sua vez, se aplica somente a parte dos “cipós”. Os tamanho dos “documentos” também determinam suas graças. Porém, cada “espiga” experimenta, ela mesma – uma mais, outras menos -, uma evolução dimensional ao longo de sua própria jornada peniana. Por isso, acredito eu, seja esta a hierarquia mais genuína dos muitos nomes com os quais, do “tiquinho” ao “varizento”, chamamos o nosso “amigão”.

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