Igreja “hackeada”

O Papa assumiu! O sumo pontífice disse ao mundo que 2% dos clérigos são pedófilos. É uma tremenda evolução o fato do chefe Católico não mais esconder ou se negar a falar de mundanidades em sua empresa. Entretanto, esse dado – apesar de imoral e criminoso – não deveria nos surpreender, visto que, no mundo, 2% das pessoas são pedófilas. Francisco, enfim, começa a informar ao mundo que a sua congregação não é tão diferente desse mesmo mundo caído ao qual ela prega.

Seguindo essa mesma lógica, os 13% de homossexuais dentre as pessoas do planeta também devem fazer pose entre os que seguem o Santo Papa. Porém, desses 13% gay ele ainda não falou. No processo de abertura dos hábitos da sua igreja ao público o argentino já assumiu de ilegalidades do Banco do Vaticano aos seus pedófilos. Porém, dizer que há, e quantos são os padres e bispos – e talvez até papas! – gays, parece ser algo bem mais sério e proibido para esta Igreja do que as assunções anteriores.

Apertando o parafuso da consonância entre Igreja e mundo mundano, haverá em ambos a mesma proporção de assassinos, traficantes, especuladores imobiliários, infiéis, mentirosos, etc.; e se assim for – amém! – em que um diferiria do outro? A grande diferença é que a Igreja conseguiu manter as aparências bem melhor até aqui. E de aparências ela entende, basta passar em revista os seus templos-palácios “maravilhosos”, ornados de arte&ouro, e as suas majestosas vestes “pré-dragqueenianas”.

Agora mesmo, enquanto escrevo esse texto, sai a notícia de que em escolas do interior de são Paulo a leitura dA Bíblia será obrigatória. E isso em um Estado que se diz laico. Somente “meu cu é laico!”, gritavam os manifestantes contra os gastos com a Jornada da Juventude de 2013 aqui no Rio. Eis que cai do céu “internético” a resposta para qual seria a diferença entre a igreja e os homens, feita acima. A diferença é que somente na Igreja podem os ladrões e/ou pedófilos e/ou gays serem obrigatórios tanto às criancinhas como aos demais.

Hoje em dia já vemos uma fumaça mais branca sair da chaminé do Vaticano aventando a possibilidade dos padres se casarem, de haver padres mulheres, e quem sabe um dia, do casamento gay entre eles. Isso sim seria a Igreja assumir plenamente a sua humanidade. Bem mais próxima das pessoas ela estaria, por certo. No entanto, proximidade em excesso pode revelar a todos que é precisamente a própria igreja que precisa dos seus fiéis para existir, e não eles dela.

Ao contrário do que A Bíblia – obrigatoriamente – empurra goela abaixo, foi o homem, ele mesmo, que criou Deus à sua imagem e semelhança, ao modo de uma funcional miragem dessemelhante. Por conseguinte, da mesma forma, a própria Igreja não é obra de Deus nem dela mesma, mas sim dos homens. Entretanto, ao mesmo tempo senhores e escravos de suas onipotências e onisciências, estes mesmos homens colocaram Deus acima das nuvens e a Igreja envolta em ouro e mistério; assim, a grande obra não seria facilmente solapada por eles próprios.

É o homem o dono do código fonte das suas Igrejas, não obstante, perdido há muito na imensidão da nuvem. Porém, como um dia esse “software” divino foi desenvolvido pelo próprio homem, e de acordo com suas necessidades humanas, basta um administrador um tantinho franciscano para que a própria Igreja seja “hackeada” de dentro para fora. E não é isso que Francisco vem fazendo ao mundanizar a divindade intocável de sua própria Igreja, ainda que ela, há muito, seja tão anacrônica quanto um “ICQ” ou um “Orkut”?

 

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