“Smart” colonizadores

Temos a ideia de que o ser humano é o colonizador-mor da natureza, que ele está no topo da cadeia predatória, dominando estrategicamente os outros seres e territórios em exclusivo benefício próprio, preservando-se e reproduzindo-se exitosamente sobre a face da terra.

Estamos plenamente convencidos de que a natureza e a cultura servem subservientemente aos nossos interesses, entretanto, tal ideia pode ser uma estranha ideologia a dissimular a situação de colonização plena à qual o homem está sendo submetido.

Hoje há mais aparelhos celulares no Brasil que brasileiros: 199 milhões de pessoas contra 270 milhões de aparelhos. No resto do mundo a situação não é diferente. Estes “gadgets” são seres não-naturais que chegaram recentemente à face do planeta e cuja dominação utiliza vida de seres humanos como substrato de replicão e perpetuação.

Um ser extraterrestre que observasse a relação entre a humanidade e os celulares, certamente diria que os “smart” aparelhos dominam com vantagem a cena: bilhões de pessoas interconectando estrutural e irreversivelmente suas relações e atividades através de um ente digital, “desdeeniizado” como um vírus, que suplanta com vantagem seus usuários em número.

Se a vida no planeta desaparecesse agora, restariam menos cadáveres humanos que aparelhos celulares. E estes ainda marcariam presença insólita no globo terrestre por muitos séculos por sobre a poeira de qualquer osso…

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