Sim, só que não!

O princípio da não contradição, formulado por Aristóteles, estabelece que uma proposição não pode ser verdadeira E falsa ao mesmo tempo; ou, do contrário, não há possibilidade de comunicação nem de pensamento . Afirmar que algo é e não-é afirma nada, e o produto dessa afirmação é a falta de sentido, o nonsense.

Hoje em dia, vemos um pervertido investimento na contradição em afirmações do tipo: “a ideia dele é ótima, só que não”. Nesses casos, temos uma essência contraditória intencional que exige uma sobrecompreensão: existência lógica e ilógica, simultaneamente. É como botar dois inimigos na arena e ver quem sobrevive para só então escolher a favor de quem torcer.

Dizer “eu gosto de filosofia, só que não”, por exemplo, é não dizer nada acerca do gosto por filosofia: é covardemente não tomar a posição pressuposta de um dizer sobre o gosto por filosofia. Dizer ao modo de não-dizer; ser nada querendo ser algo; nonsense buscando sentido; o ilógico – na elipse pré-lógica – tentando logicidade. E não é essa a evolução do caos à ordem?

Aristóteles estava certo, só que não.

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