Protoderradeiro

Não faz sentido chamar de primeiro o que não é seguido de um outro; tampouco dizer que é último aquilo desprovido de um anterior. O primeiro somente é o último em se tratando de algo único. Aliás, o único existe somente por insistir, eternamente e em todos os lugares, sua “primeiritude” e “ultimidade” contemporâneas.

O tempo, por exemplo, é algo único. Mesmo constituído de infinitos instantes, estes não são propriamente o tempo; ao contrário, é a partir do tempo que é possível o instantâneo. O tempo é o que há em sua categoria, nenhum outro o antecedeu, e nenhum outro o sucederá. Qualquer outro que se insinue é somente mais do mesmo.

Entretanto, o “agora” é o exclusivo instante do tempo que é único em si, sempre presente, deslizando itinerante por sobre todos os instantes, genérico, adimensional e atemporal. É a Diva do tempo! O “agora” nunca deixou de ser o instante único através do qual todos outros vêm a ser: o único que já foi, é, e será todos os instantes.

Outro exemplo de unicidade absoluta é o espaço. Mesmo aparentando ser o somatório de todos os lugares, o espaço é que contém todos eles. Antes do espaço não havia nada como ele, e uma vez dado, não há mais espaço para qualquer outro. O espaço já é tudo o que precisa ser.

Contudo, o “aqui” é o singular lugar do espaço que se auto delimita como único, nunca localizado nem fixo, onde quer que esteja. O “aqui” é a vedete do espaço justamente por sua particular capacidade de ser qualquer lugar, inclusive todos eles. O “aqui” é genérico, adimensional e atemporal, à medida do “agora”.

“Agora” e “aqui” são únicos precisamente por se recusarem à temporalidade e à espacialidade absolutas: são as verdades incontestáveis do tempo e do espaço. O tempo só é único por que história do “agora”, e o espaço, enquanto horizonte do “aqui”. A relação que existe entre todos eles é de pura gravidade.

Único é singular, e “Singularidade Absoluta” é o que os cientistas chamam de Big Bang: o nascimento do tempo e o surgimento do espaço. “Aqui” e “agora” são supernovas singulares cujas nebulosas, plenas de gravidade, são o desenho do espaço e do tempo no universo protoderradeiro.

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