Fodidos, uni-vos!

A frase que encerra o Manifesto Comunista, “Proletários de todo os países, uni-vos”, deveria ser reciclada em proveito das presentes greves no nosso país; da dos metroviários em SP, à dos professores, rodoviários, garis, policiais, etc. No entanto, a desconexão estrutural entre as várias manifestações é o produto genuíno de uma elite que, através do seu poder – midiático, principalmente -, precisa alienar a máxima de Marx e Engels, pois sabe que justamente nela reside a revolução.

Atomizadas e cercadas por um vazio intransponível, as ações dos trabalhadores dispersam a energia que têm em comum, e essa força é sagazmente reabsorvida pelo poder, e contra os átomos-trabalhadores. A “mass-midia”, ao priorizar a dificuldade que o restante dos trabalhadores enfrenta numa greve de ônibus, por exemplo, coloca todas as categorias contra uma, e esta, isolada, tem seus objetivos – que são nobres e comuns – desqualificados.

O jornalismo deveria ser o encontro racional e imparcial da sociedade, no entanto, aliena-a de si mesma, criando estratégica&oportunamente um todo ficcional a contradizer qualquer parte que ameace seus parceiros patrocinadores. Em 1848, Marx afirmou que “a sociedade se divide cada vez mais em dois campos opostos”. Porém, hoje, através da mídia, essa divisão é feita a cada semana, a cada dia, entre quaisquer partes, sempre que a união de interesses comuns ameace a estrutura do poder.

“O movimento proletário é o movimento da imensa maioria em proveito da imensa maioria”, afirmaram os dois comunistas alemães, justamente porque “o preço que se paga ao operário é o mínimo para que ele viva como operário”, não como um ser humano digno de realização pessoal. Só quando o professor explorado se identificar com o metroviário explorado, e estes a todos os outros trabalhadores explorados, é que sobrevirá a possibilidade de todos se libertarem da exploração, esta sim, sistematicamente socializada.

Marx avisou que “as ideias dominantes sempre foram as ideias da classe dominante”. Entretanto, o que mais importa aos trabalhadores são suas próprias ideias, dominadas, sim, porém comuns; e só dominadas porque não unidas. Enquanto as partes necessitadas não se solidarizarem harmoniosamente em benefício de todos, teremos cada uma delas em uma solidão angusta e ineficiente, e, conforme o filósofo alemão, “seus objetivos só poderão ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem social existente”. E é nesse extremo desesperado que o trabalhador é veiculado como vândalo, ilegal, e toda a cartela de predicados que o poder ameaçado tem a oferecê-los.

Uni-vos, porra!

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