Fênix Capitalista

A poluição e o lixo humanos, frutos podres e malditos da boa vida que todos almejamos desesperadamente, sistematicamente reconstituem o planeta: a água dando lugar ao esgoto e aos venenos químicos; o ar, ao monóxido de carbono e ao dióxido de enxofre; assim por diante.

Espanto e preocupação com a degradação do meio ambiente são posturas que bem agregam valor ao produto social que somos, sem com isso representarem revolução alguma no preocupante quadro. Atitudes ecológicas acabam por ser mais um produto de consumo que no mais das vezes piora a situação. Não nos esqueçamos da ação da prefeitura do Rio, no “Réveillon Ecológico” de 2013, que para pregar a preservação da natureza usou toneladas de fogos de artifício de cor verde, muito raros – e caros -, dezena de vezes mais poluente que os já poluentes fogos convencionais.

Fundamental mesmo para o bicho humano é trocar com cada vez mais frequência aparelhos celulares, “tablets” , TVs L.E.D, carros, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc. Hierarquizamos perversamente esses bens de consumo em detrimento da capacidade de absorção e renovação da natureza, e não há sinais indicando que deixaremos essa senda nefasta. 

Alienados&entretidos, não realizamos – ou não queremos realizar – que a fabricação de uma simples camiseta, por exemplo, polui 2.500 litros de água, uma calça Jeans, 10.000 e um par de sapatos, 8.500!!!. Um básico “rolezinho” individual inviabiliza mais de 20.000 litros d’água. Pensemos nos nossos guarda-roupas, em todos os que já tivemos! Vestimos e descartamos inadvertidamente lagoas inteiras durante as nossas curtas, porém intensificadas vidas. 

Queimamos cada vez mais carvão nas nossas termelétricas para suprir nossos “ares-condicionados-divinos” que brotam em qualquer cubículo onde haja presença – e até ausência – humana. O ar que vestimos é infinitamente mais importante que o ar que respiramos. Fato! É como se quiséssemos regredir às pré-históricas glaciações para não transpirarmos a insalubre fogueira das vaidades que criamos.

A destruição da natureza, por devastadora que seja, simboliza nossa evolução. Depararmo-nos com essa degradação gera um gozo perverso e pulsional: estamos todos sim consumindo e vivendo ao máximo! Ebah! Entretanto, tudo tem seu preço, e poluir é só mais um deles. Felizmente temos na salvação do planeta o próximo produto a ser consumido na próxima “season”!

Contudo, não há indícios de que o meio ambiente seja salvo ou preservado devido suas insubstituíveis características. Seguimos evoluindo como se, em si, ele não tivesse importância inerente alguma. A natureza só existe se utilizada pelo homem, fora disso ela não merece atenção. É para que nossos (meus!) filhos saibam o que é um mico-leão-dourado que essa coisa maravilhosa da natureza deve seguir existindo, mais nada.

Em uma matéria sobre o lixo excessivo na Baia da Guanabara, hoje pela manhã, a jornalista da Rege Globo condenava tal situação simplesmente por prejudicar o funcionamento das barcas Rio-Niterói. O lixo entope os motores das embarcações e o custo disso é altíssimo à Barcas S.A. O ponto alto da reportagem foi o comprometimento dos interesses do Comitê Olímpico Internacional nos jogos próximos. Nada sobre os botos intoxicados e agonizantes! O que realmente importa, em primeira e última instância, é o capital econômico, cristalizemos isso!

Despoluirão a Guanabara sim, mas é para que Barcas S.A.s e Comitês Internacionais fiquem satisfeitos e possam seguir lucrando – e poluindo. A recuperação ambiental é um excelente negócio para quem quer seguir destruindo o planeta. O sonhado&impossível moto-contínuo pode encontrar aí sua descida à realidade: poluir e despoluir intensamente, ad eternum, e assim manter o movimento da roda sórdida do consumismo capitalista. 

O capital tem o poder de destruir completamente a natureza. Entretanto, somente ele, hoje, tem o poder de reconstruí-la, para melhor consumi-la. 

Oxalá o meio ambiente seja Fênix e renasça das próprias cinzas!

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