#descartes #selfie #existo

#odiainteirofechadonumquartoaquecido
#bastantetempodisponívelparaentreterme

Podemos dizer que o “facebook” surgiu em 1637 – mais “book” que “face” – no livro Discurso sobre o Método, de René Descartes, onde o autor conta do luxo solipsista a que pode se submeter em nome dos seus anseios pessoais.

#quetodosapreciemaminhafranqueza
#tendominhaobrameagradadobastantemostroaquioseumodelo

Nessa obra, o filósofo busca a prova racional da sua própria existência, visto que nem seus sentidos lhe serviam mais para tal; e numa inovação pop, deixa de escrever em latim e “compartilha” seus “status” em língua vernácula.

#gostariamuitodemostrarquaissãooscaminhosquesegui
#representarminhavidacomonumquadro

Escrevendo para o povo, e não só para os intelectuais, Descartes desejava “add new friends”, para que assim mais pessoas pudessem visualizar sua privilegiada “timeline” e “curtissem” seu método:

#empregueiorestodajuventudeemviajar
#outracoisanãofizsenãoirdecápralánomundo

Em uma época ainda rançosa de medievalismos, cujo povo era recém-iniciado na sórdida exploração capitalista que o vilipendiaria inimaginavelmente, o filósofo introduz categoricamente a ostentação sobre os desprivilegiados:

#estudeinumadasmaiscélebresescolasdaEuropa
#tivemuitasortedesdeajuventude

Descartes “publicou” sua jornada intelectual afortunada, alienado da realidade circundante, contando, tin tin por tin tin, o tranquilo caminho que trilhou até descobrir a prova que lhe faltava:

#pensologoexisto
#nãopudeimpedirmedeadquirircertareputação

#LOL

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